segunda-feira, 28 de abril de 2008

O NAVEGANTE

O mar

Puro movimento

Tiras de espuma

Sempre vindo

Sempre vindo

O horizonte é fixo

O céu nem tão azul

O vento passa

Sempre seguir em frente

Nunca chegar ao porto

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A NOITE DA MINHA MORTE

NA NOITE DA MINHA MORTE
AINDA NÃO ACREDITO NA MORTE

NA NOITE DA MINHA MORTE
FUMO UM CIGARRO
COM O PRASER DE SABER
QUE ELE NÃO VAI SER O MOTIVO
DA MINHA MORTE

NA NOITE DA MINHA MORTE
BEBO CACHAÇA
SEM MEDO DA RESSACA
DE AMANHÃ

NA NOITE DA MINHA MORTE
SÓ ME DOI
O QUE AINDA NÃO FIZ
O QUE AINDA TENHO POR FAZER

NA NOITE DA MINHA MORTE
TEM SALDADE
DOS MEUS FILHOS
DE NÃO OS VER ADULTOS

NA NOITE DA MINHA MORTE
TEM A FRUSTRAÇÀO
DE NÃO TER SALVO O MUNDO

NA NOITE DA MINHA MORTE
TEM O SABER
QUE O MUNDO NÃO DEPENDE
DE MIM

NA NOITE DA MINHA MORTE
APESAR DE TUDO.
O QUE PODERIA DISER E NÃO DISSE
NÃO FAZ FALTA
NEM A MIM MESMO

NA NOITE DA MINHA MORTE
EU MÃO QUERO
MORRER

NA NOITE DA MINHA MORTE
O DIA AMANHECEU
TRANQÜILO


FIM

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Paliativo

Desejava um poema louco
Sem pé nem cabeça
Para esconder a dor
Um poema oco
Sem sentido
Para não sentir dor


Um poema anestésico
Falando da beleza do dia
Que escondesse a ferida
Um poema analgésico
Que me fizesse sentir melhor
Mesmo não curando a ferida


Meu poema desejava ser feliz

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Há Idéia

Uma idéia
Acontece
Não é minha nem é sua

Ela vive circulando
Esperando alguém
Que a construa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

ELA

A morte
É o bem mais caro
Da vida

A morte é pacifista
Detesta guerras
Guerras dão muito trabalho
A ela

A morte
Tem senso de humor
Acha muita graça
Da inútil esperança humana
De sobreviver à morte

A morte
Está logo ali na frente
Sentada na beira do caminho
Paciente

Esperando você passar...

domingo, 27 de janeiro de 2008

GENESIS

Era uma vez um deus tão triste
Que resolveu acabar com o mundo
Apagou o sol em um segundo
O que era rocha virou pó, nada mais existe

Tentou trancar seu coração imundo
Mas bem no fundo um pulsar insiste
Um raio corta, o peito não resiste
Explode num clarão, largo, profundo

Ho! Pobre e triste deus
Tentou matar medos que eram seus
E no final transbordou-se focou imerso

Sofreu por tudo que viveu
Tentou matar-se, mas não morreu
Acabou criando o universo

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Torquato Neto

Essa é para quem esqueceu
E para quem não conheceu
Torquato Pereira de Araújo Neto: Teresina, 9 de novembro de 1944Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972. foi um poeta, jornalista, letrista de música popular, experimentador da contracultura.
Torquato Neto se matou aos 28 anos
O poeta morre
A poesia vive

"Quando Eu Nasci
Um Anjo Torto
Um Anjo Solto
A Um Anjo Louco
Veio Ler A Minha Mão
Não Era Um Anjo Barroco
Era Um Anjo Muito Solto
Louco, Louco, Muito Doido
Com Asas De Avião
E Eis Que O Anjo Me Disse
Apertando A Minha Mão
Entre Um Sorriso De Dentes:
Vai Bicho
Desafinar O Coro Dos Contentes."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Kaleido

Viver deve ser bom
Ninguém quer morrer


Por que sempre temos
Que colocar veneno
No paraíso?


Por que não bastaria
A luz do sol
O vento num dia de chuva
Para ser feliz.


Trabalhar, produzir, consumir

......................................................Trabalhar

Produzir

.......................Consumir

...................Trabalhar

............................................Produzir

.......................................................................Consumir

......................T

..............................R

.....................................A

..............................................B

..................................................A

.........................................................L

..............................................................H

.....................................................................A

....................................................................R

.....................P

............................R

...................................O

...........................................D

.................................................U

.....................................................Z

....................................................I

...............................................R

................C

.......................O

............................M



..................................S

....................................U

.............................M

.......................I.................R


A teia não dá prazer ao inseto
Escravo da civilização


O preço da civilização


O peso da civilização


A dor da civilização


Uma folha em branco
Igual a luz
No olhar ofuscado

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Eu não preciso de título

A humanidade é uma bosta
O ser Humano é uma merda
por isso você não é mais que ninguém
você saiu do mesmo cu que todo mundo!
Ü